terça-feira, dezembro 29, 2009

RFFSA - Volume I - Capítulo 3

Rede Ferroviária Federal S. A.
Capitulo 3
Prelúdio

No capítulo anterior ilustramos em rápidas considerações as origens de formação da RFFSA. Esta obra não tem como objetivo de detalhar os acontecimentos políticos, econômicos, sociais, de gestão e ou de desenvolvimento administrativo interno da empresa. Deixamos esta etapa para um estudo acadêmico nos campos sugeridos, cujo resultado oferecerá melhores respostas.

Mas para atingir os objetivos desta pesquisa, não poderia o autor deixar de pontuar a formação da empresa e, inevitavelmente alguns dos fatos notórios relacionados com os elementos que emolduram a existência da empresa, determinando influências. Neste mister alguns comentários não nos furtamos a fazer.

Conforme vimos, em 1957 o sistema ferroviário brasileiro passava a vivenciar uma nova e determinante fase.

Mas não estamos falando do sistema por completo. A formação da RFFSA contemplou inicial e basicamente (sem maiores alterações) estradas de ferro que se encontravam subordinadas já ao ainda vigente DNEF – Departamento Nacional de Estradas de Ferro, bem como algumas ferrovias sob regime autárquico e outras administradas em regime especial.

Dos quadros do DNEF, temos as seguintes ferrovias:
(1) EFMM – Estrada de Ferro Madeira Mamoré;
(2) EFB - Estrada de Ferro Bragança;
(3) EFSLT – Estrada de Ferro São Luiz-Teresina;
(4) EFCP – Estrada de Ferro Central do Piauí;
(5) RVC – Rede de Viação Cearense;
(6) RFN - Rede Ferroviária do Nordeste;
(7) EFMS – Estrada de Ferro Mossoró – Souza;
(8) EFSC – Estrada de Ferro Sampaio Corrêa;
(9) VFFLB – Viação Férrea Federal Leste Brasileiro;
(10) EFBM – Estrada de Ferro Bahia a Minas;
(11) EFG – Estrada de Ferro Goiás;
(12) EFDTC – Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina;
e
(13) EFNOB – Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.

Como autarquias:
(14) RMV – Rede Mineira de Viação;
(15) EFCB – Estrada de Ferro Central do Brasil;
e
(16) RVPSC – Rede de Viação Paraná- Santa Catarina.

Em regime especial administrativo:
(17) EFL – Estrada de Ferro Leopoldina;
(18) EFSJ – Estrada de Ferro Santos a Jundiaí.


(estas últimas decorrentes da recente incorporação ao governo brasileiro, finalizadas as concessões inglesas que por mais de 50 anos conduziram-nas respectivamente como Leopoldina Railway e São Paulo Railway).

Naquele instante a RFFSA não incorporava da União: duas arrendadas a governos estaduais, a (19) VFRGS – Viação Férrea Rio Grande do Sul ( incorporada três anos depois) , a (20) EFSC – Estrada de Ferro Santa Catarina e duas em regime de administração, a (21) EFI – Estrada de Ferro Ilhéus e a (22) EFT – Estrada de Ferro Tocantins.

Somam-se, portanto 22 ferrovias* (com a vigésima terceira, a Estrada de Ferro Central do Paraná, à epoca em construção (Fonte: Revista Refesa - número 1 - agosto de 1960).
(Sobre as formação ferroviára do sul, recomendamos consulta ao pesquisador ferroviario Ralph Menucci Giesbrecht, de São Paulo, SP).

O sistema paulista, representado pelas: CPEF – Companhia Paulista de Estradas de Ferro; Estrada de Ferro Araraquara; EFSPM – Estrada de Ferro São Paulo-Minas, CMEF – Companhia Mogiana de Estradas de Ferro e EFS – Estrada de Ferro Sorocabana, bem como a EFVM – Estrada de Ferro Vitória a Minas (já como Companhia Vale do Rio Doce) não foram incorporadas ao sistema RFFSA.

Com este quadro a nova estatal passava a administrar mais de 80% do sistema ferroviário nacional.

Exemplos fotográficos de algumas ferrovias integrantes da fase pré-RFFSA:

(Observação: as fotografias abaixo foram extraídas de diversas fontes: anuários das estrada de ferro, relatórios e publicações. Acervo do ex-libris do autor. Aos leitores deixamos à vontade para complementações sobre as imagens. Esta é a vantagem da ferramenta de publicação do blog: interatividade. Participe! Os equipamentos, em sua maioria, foram adquiridos entre as décadas de 40 e 50 - século XX).


Estrada de Ferro Leopoldina - Locomotiva diesel- hidráulica, fabricação Esslingen (alemanha).




Viação Férrea Federal Leste Brasileiro - Locomotiva elétrica, fabricação IRFA - Indústrias Reunidas de Ferro e Aço.



Rede Ferroviária do Nordeste - Carro de aço carbono - segunda classe, fabricação Mafersa - Materiais Ferroviários S.A.




Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina - Vagão fechado, fabricação FNV - Fábrica Nacional de Vagões S.A..



Estrada de Ferro Central do Paraná - Vagão hopper aberto (lastro), fabricação Cobrasma.



Estrada de Ferro Central do Brasil - Locomotiva elétrica, fabricação Siemens (alemanha).



Rede de Viação Paraná - Santa Catarina - Locomotiva elétrica, fabricação Metropolitan-Vickers (Inglaterra).

Rede Mineira de Viação - Vagões fechados, fabricados pela FNV - Fábrica Nacional de Vagões S.A..





Um vagão especial...



Vagão fechado, sem revestimento, fabricado para a Estrada de Ferro Central do Brasil, como parte da encomenda financiada pelos primeiros movimentos e resultados da CMBEU. De uma encomenda expressiva de pouco mais de quinhentas unidades, o modelo FR, fornecidos pela FNV - Fábrica Nacional de Vagões, até poucos anos podia ser visto ainda em tráfego. Nesta foto ( acima) , o vagão recém saído de fábrica, em 1952 e (abaixo) o mesmo modelo com pintura "Demo", da FNV, durante a exposição ferroviária ocorrida por ocasião do "IV Centenário de São Paulo", no parque do Ibirapuera. Esta pintura é um mistério: teria sido o vagão, prateado, amarelo ou branco?
Acervo: José Emílio Buzelin.