segunda-feira, janeiro 04, 2010

RFFSA - Volume II - Capítulo 9

R.F.F.S.A. - Fases Administrativas
Fase I - de 1957 a 1969 (Coligadas)
Capítulo 9
A primeira década

Os primeiros dez anos de existência da RFFSA não podem ser avaliados de forma isolada do contexto político brasileiro daqueles dias.

Da transição da década de 50 para a década de 60, acontecimentos profundos permearam a vida brasileira, culminando, em 1964, numa ordem governamental que alteraria substancialmente os rumos da sociedade e da economia brasileira. Falamos do chamado “Golpe de 64” ou “Revolução de 64” que consolidou o controle executivo governamental a partir da gestão por parte de dirigentes militares que se revezaram no poder, sob a cunha do perigo comunista e da necessidade de estabilizar e promover o desenvolvimento do país, a partir de iniciativas fortemente nacionalistas e defensoras do estabelecimento e manutenção da estrutura social, segundo os preceitos capitalistas.

Neste contexto a RFFSA encontra a transição de sua juventude para alcançar a maturidade. Naqueles dias as mudanças estavam na ordem dos acontecimentos e a RFFSA não seria menos influenciada por estes novos rumos. Muito antes, passaria a ser o que podemos comparar como uma espécie de “jóia da coroa”, ou seja, uma empresa elevada à excelência dos interesses nacionais mais inestimáveis e neste contexto, tornar-se-ia uma das maiores empresas do país. Estava, portanto, ás suas portas um momento de auge, conquanto para muitos, um momento mais de ufanismos do que propriamente de fatos.

Com doze anos de existência, passaria a RFFSA por sua segunda fase, segundo o autor, não menos e talvez a mais rica de todas: a fase das Divisões Operacionais, pelos Sistemas Regionais.


Boletim estatístico da RFFSA emitido na fase das ferrovias coligadas, em 1968. Acervo: José Emílio Buzelin.











Folder promocional da Central do Brasil, em 1967. Notar a presença do símbolo da RFFSA e da proposta para uma nova logomarca de identificação da Central, estilizada. Chegou a ser usada discretamente, mas teve vida muito curta, não chegando a ser adotada formalmente. Acervo: José Emílio Buzelin.







O “ferry-boat” moderno foi implantado pela RFFSA logo no início, antes da construção da ponte entre Propriá e Colégio, na malha da Viação Férrea Federal Leste Brasileiro e RFN – Rede Ferroviária do Nordeste. Na foto um vagão fechado de bitola métrica sendo preparado para o içamento junto à embarcação.
Revista Refesa – 1968. Acervo José Emílio Buzelin.






Fac-símile de capa do primeiro relatório de atividades da RFFSA, em 1958. Acervo: José Emílio Buzelin.



Fac-símiles de capa, folhas-de-rosto, verso da quarta-capa e quarta-capa, respectivamente, da primeira e da última Revista Refesa, publicação oficial da RFFSA, de 1960 a 1975. Periódica, mas irregular na distribuição, esta revista representa um registro inestimável e raro, ainda que tenha sido muito comum junto às unidades de documentação da Rede. Sua distribuição era gratuíta e generosa, não raras as grandes tiragens.
Acervo: José Emílio Buzelin.

Capa – Revista Refesa – Número 01 – agosto de 1960.




Rosto – Revista Refesa – Número 01 – agosto de 1960.





Terceira Capa – Revista Refesa – Número 01 – agosto de 1960.





Quarta capa – Revista Refesa – Número 01 – agosto de 1960.







Capa e quarta capa – Revista Refesa – sem número de referência – Janeiro a Junho de 1975. Última Revista Refesa (conhecida). Notem, na quarta-capa, uma composição do "Húngaro" e uma automotriz durante limpeza em São Diogo; um TUE´, Série 400 no pátio da estação D. Pedro II e uma Alco RS3.







Sugestivo anúncio da General Electric na revista OVERSEAS RAILWAYS - edição especial sobre o Brasil da Railway Gazette Publication – 1954 – UK (England), destacando a entrega de “diversas locomotivas” para as várias unidades formadoras da nova empresa brasileira.Na concepção artística, podemos identificar dois modelos presentes – as Universal U5B e mais ao fundo, à direita, a representação do modelo GE4440, a “Charutão” . Acervo: Memória do Trem / José Emílio Buzelin.





Números da RFFSA, em 1957:
Extensão das linhas: 24.640 quilômetros;
Eletrificadas: 893 km;
Locomotivas a vapor: 2000;
Locomotivas Diesel: 311;
Locomotivas Elétricas: 80;
Carros de Passageiros: 3028;
Vagões de carga: 32917;
TKU: 4,6 x 10_3;
Empregados:140 mil servidores
.


Presidentes da RFFSA no período 1957 a 1969:

Rozaldo Gomes de Mello Leitão
27/11/1959 a 17/02/1961

Hermínio Amorin Júnior
17/02/1961 a 14/04/1964

Helio Bento de Oliveira Mello
11/11/1964 a 30/03/1967

Antônio Adolfo Manta
30/03/1967 a 30/05/1972
Gestor da segunda fase administrativa da RFFSA, a partir de 1969.


***
Para os ferremodelistas:
O que marca a identidade visual da RFFSA na sua primeira fase:
a) A pintura padrão original com listrado no espelho do engate e barramento do passadio em amarelo ( locomotivas);
b) A inscrição RFFSA, rigorosamente escrita como sigla: “ R.F.F.S.A.”, seguido abaixo da abreviação da ferrovia coligada. Ex: “REDE MINEIRA”. Ambas em maiúsculas.
c)Numerais distribuídos conforme o modelo adotado do padrão conforme as fotografias comprovam.

Trem de passageiros da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil – EFNOB, coligada “Noroeste”, da RFFSA, o famoso "Trem do Pantanal", ainda formado por carros de madeira e tracionado pela mais nova locomotiva diesel-elétrica colocada em operação, cujo modelo demarcou a primeira grande encomenda de material de tração diesel nas ferrovias brasileiras, as GM EMD G8 e G12. No apogeu da malha nacional e na formação da Rede Ferroviária Federal S.A.. Revista Refesa - 1968 . Acervo José Emílio Buzelin.