quarta-feira, janeiro 06, 2010

RFFSA - Volume III - Capítulo 11

R.F.F.S.A. - Fases Administrativas
Fase II - de 1969 a 1976

Capítulo 11
Apogeu

As décadas de 50 e 60 no Brasil foram marcadas por um período de sérias e definitivas transformações. Do surto de modernidade ao retrocesso político demarcado por (mais uma) ditadura governamental, agora comandada por militares, o Brasil acompanhava as transformações que delineavam novos costumes e respostas econômicas.

Em 1964 o regime de governo que passa a assumir os rumos da nação guarda contornos específicos e bem definidos. Aqui não entraremos em maiores detalhes, mas para se entender esta fase da RFFSA é necessário emoldurar o tempo político vivido naqueles dias.

A partir do novo regime, as instituições brasileiras passaram por profundas reformas e as empresas sob o comando da administração indireta (estatais) foram tomadas pela nova ordem.

O então presidente da RFFSA naqueles dias, considerado de perfil técnico, o eng. Hermínio Amorin Junior, foi deposto e em seu lugar colocado interventores federais. Ito aconteceu de 14/04/1964 a 23/11/1964.

Assumiram os interventores, os srs. Afonso Augusto de Albuquerque Lima (14/04/1964 a 19/08/1964) e o engenheiro Helio Bento de Oliveira Mello ( de19/08/1964 a 11/11/1964).

O eng. Helio Bento de Oliveira Mello foi reconduzido após a intervenção à presidência da RFFSA, permanecendo até 30 de março de 1967, quando entraria em cena o general Antônio Adolfo Manta, que geriu a RFFSA até 1972, na fase em que surgem as divisões operacionais.


Do livro “Presidentes e Diretores da RFFSA” de Maria da Aparecida T. Cabral, Rio de Janeiro, RJ – 1986
Acervo: José Emílio Buzelin





O novo perfil governamental prezava a ordem institucional e logo que estabilizado promoveu extenso programa de desenvolvimento econômico e social, cuja apoteose foi firmada no início dos anos 70, com forte senso de nacionalismo, embalado por um surto econômico que foi tomado por “milagre brasileiro”. Os direitos políticos e as manifestações de oposição ao contrário viviam a fase da censura e das dificuldades naturais que um regime de exceção oferecia.

Neste cenário controverso e objeto de estudos e polêmica até os dias atuais, fato é que a RFFSA passava a fazer parte do indivisível rol de grandes empresas nacionais e, de certo modo, apesar do grande programa de erradicação ferroviária dos chamados ramais anti-econômicos, a RFFSA ingressava para o círculo de empresas estatais cujo apoio político e econômico não parecia ter quaisquer limites. Uma fase de grande prosperidade.


Reestruturação Orgânica da R.F.F.S.A.

Apesar do intervencionismo governamental fortemente delineado na RFFSA naqueles dias (conforme perduraria até os dias de hoje, já em “franca” democracia), a empresa preservava e fomentava os seus quadros técnicos de elevada qualidade. Nomes como o de René Fernandes Schoppa, Waldo Sette de Albuquerque, Clemar Menezes, Oscar Pires, Targino Ribeiro, Rocha Santos, Luiz Antônio Flutt, Aldo Marsili, Ismael Rebello, Luiz Alberto Nastari, Francisco Cruz, Aloysio Ravache Peres, Rubem Eduardo Ladeira, Walter Gêd Valverde, Paulo de Tarso Costábile, Francisco José Pereira, enfim tantos competentes profissionais ferroviários na engenharia, administração, recursos humanos e finanças, passaram por cargos de confiança e de relevância na empresa que buscava freneticamente sua afirmação de grandeza, afinal de contas ela representava um dos vários cartões de visita do Brasil pujante.

Sob a afirmação de que “ a Rede é uma só”, a resolução de 31 de outubro de 1969, conhecida como “Resolução 21”, advinda da diretoria da RFFSA, reorganizou a chamada estrutura orgânica da empresa, modificando a relação existente entre a administração centralizada e as ferrovias coligadas.

Com a nova estrutura podemos considerar que, formal e oficialmente, a partir daquela data as “estradas de ferro” deixavam de existir, sendo definitivamente incorporadas a uma grade de sistemas constituintes, na formação das chamadas divisões operacionais.

Segundo o Eng. Waldo Sette de Albuquerque, como um dos diretores da empresa e que acompanhou diretamente a implantação dos chamados Sistemas Regionais este foi, sem dúvida, um dos trabalhos mais complexos já enfrentados pela empresa, dada a natureza encerrada e o propósito a ser alcançado: a definitiva unificação da RFFSA.



O engenheiro Waldo Sette de Albuquerque, responsável pela criação da nova estrutura orgânica da RFFSA, estrutura tal que representou uma das fases de maior expressão administrativa da Rede. Seu trabalho traduz um marco na evolução ferroviária brasileira. A partir daquele momento, o sistema ferroviário definiu com eficiência um de seus principais objetivos: INTEGRAÇÃO NACIONAL. Revista Refesa – setembro – outubro de 1971. Nossa homenagem a este grande ferroviário. Acervo: José Emílio Buzelin.


Uma hercúlea tarefa, mas que foi realizada a bom termo. Mas somente nos anos 70 é que a percepção da nova estrutura se faria de maneira mais expressiva, com reflexos diretos na qualidade de vida da empresa. Porque a modernização administrativa em todos os setores vitais do governo era uma meta da política vigente, somando-se ao fato de que a disciplina e o ordenamento das ações traduziam a marca que o período político determinava naqueles dias.

A nova estrutura foi assim delineada:

SISTEMAS REGIONAIS: 4

SISTEMA REGIONAL NORDESTE - SRN
SISTEMA REGIONAL CENTRO - SRC
SISTEMA REGIONAL CENTRO-SUL - SRCS
SISTEMA REGIONAL SUL - SRS

Para cada sistema temos as suas
DIVISÕES OPERACIONAIS

SRN – quatro divisões, sendo:
1ª. Divisão Maranhão-Piauí
2ª. Divisão Cearense
3ª. Divisão Nordeste
4ª.Divisão Leste

SRC – quatro divisões, sendo:
5ª.Divisão Centro-Oeste
6ª.Divisão Central
7ª. Divisão Leopoldina
8ª Divisão – Divisão Especial dos Subúrbios do Grande Rio ( Rio de Janeiro, RJ)

SRCS – duas divisões, sendo:
9ª. Divisão Santos a Jundiaí
10ª. Divisão Noroeste

SRS – quatro divisões, sendo:
11ª Divisão Paraná – Santa Catarina
12ª Divisão Tereza – Cristina
13ª Divisão Rio Grande do Sul
14ª Divisão Santa Catarina

Para SR – Sistema Regional – um superintendente e para cada DO – Divisão Operacional, um Chefe de Divisão.

Do ponto de vista do padrão de pintura e da uniformização da “marca” da Rede nos equipamentos ferroviários vigentes, não houve modificação.

O padrão vermelho e amarelo, com listras e faixas foi mantido, assim como a co-denominação da ferrovia coligada que agora passava a fazer parte de uma designação divisional. E, nos vagões, o predomínio da pintura em vermelho-óxido, com as inscrições em amarelo.

Na grande maioria, foram mantidas as designações originais, mas não raro era o aditamento às inscrições da referência numérica à divisão correspondente. Algo que foi observado em algumas – não todas – as divisões. Ocorria de forma esporádica.




Vagão fechado adaptado para o serviço de malotes internos e pagamentos realizados em ferrovia. A figura do "trem pagador" existiu até o início dos anos 70, quando a partir daí as integralizações passaram a serem feitas pela rede bancária. Este vagão posteriormente foi transferido para serviços de socorro. Fotografia: Bassani - RFFSA / Em São Diogo - 1970. Revista Refesa. Acervo: José Emílio Buzelin.

Mas um elemento determinante que apareceria ainda no final dos anos 60, mudaria radicalmente a identidade e a assinatura da RFFSA, traduzindo-a pelos anos seguintes, a partir de um simples desenho, cuja expressão de simbologia marcaria para sempre a imagem da empresa: o símbolo da RFFSA.