sexta-feira, janeiro 08, 2010

RFFSA - Volume IV - Capítulo 16

R.F.F.S.A. - Fases Administrativas
Fase III – de 1976 a 1996
Capítulo 16
As Superintendências Regionais

Os anos de exaltação econômica que tiveram lugar na década de 1970 logo receberam um generoso e irreversível “balde de água fria”.

A crise do petróleo no ano de 1973, passando o barril de alguns centavos para valores acima dos dois dígitos em dólares americanos, significou uma freada mundial sem precedentes e, nesta hora, o Brasil integrava uma desconfortável “comissão de frente”, pois toda a pujança desenvolvimentista em voga naqueles dias custava uma gigantesca carteira de crédito internacional – em outras palavras, uma enorme dívida se acumulava e tomava novos contornos com o cenário da crise de 1973.

Nem o governo nem o mundo esperavam por isso e no caso do Brasil a relutância em se aceitar o novo fato, diante do cenário de crescimento, naturalmente gerou resistências – no “melhor da festa”, vamos embora?

A inércia dos problemas somente permitiria dar visibilidade aos problemas a partir de 1975 em diante. O novo presidente da República neste período, o General Ernesto Geisel, recebera um governo com tensões políticas conhecidas (abertura democrática) e agora o “abacaxi” da crise mundial, que retirava do país sua expressão de potência econômica emergente.

Neste contexto, encontramos uma RFFSA que começava a sofrer fortemente a influência deste período. E, desde 1964, cortejada do modo como passou a ser, como espaço de trabalho na sociedade brasileira, permitiu que, ao longo dos anos, seus quadros acabassem inchados, graças ao portal político que se abrira e que permaneceria por muitos anos, senão até a atualidade.

O conceito dos sistemas regionais e das divisões deixava de atender às novas demandas e passava a merecer uma revisão. Até porque, com a segregação de bitolas na 6ª. Divisão Central, em 1973, separando da malha a bitola métrica da larga (com a criação da chamada 14ª Divisão Centro-Norte, vinculada ao Sistema Regional Centro – SRC, com a métrica), Desta forma partiu a RFFSA para uma nova reforma administrativa interna, que resultou na aglutinação das divisões, formando uma estrutura mais verticalizada, agora baseada no princípio das Superintendências Regionais.

Com efeito, a nova estrutura – adotada no final de 1975, mas tornada a efeito a partir de 1976, pela RD 7/76, ficou assim delineada:


Sistema Regional Nordeste – SRN:
SR1 – Superintendência Regional Recife;
Com a fusão da 1ª; 2ª; 3ª e 4ª; Divisões Operacionais (Maranhão-Piaui; Cearense; Nordeste e Leste, respectivamente);
Seguiu-se a formação da SR-7 – Superintendência Regional Salvador, com a fusão da 3ª. e 4ª Divisões ( Nordeste e Leste, respectivamente).

Sistema Regional Centro – SRC:
SR-2 – Superintendência Regional Belo Horizonte;
Com a fusão da 5ª e 14ª; Divisões Operacionais (Centro-Oeste e Centro-Norte, respectivamente);
SR-3 – Superintendência Regional Rio de Janeiro ( mais tarde, no início dos anos 80, em Juiz de Fora, MG);
Com a fusão da 6ª;7ªe 8ª; Divisões Operacionais (Central, Leopoldina e Divisão Especial dos Subúrbios do Grande Rio, respectivamente).

Sistema Regional Centro-Sul – SRCS:
SR-4 – Superintendência Regional São Paulo;
Com a fusão da 9ª. e 10ª; Divisões Operacionais (Santos a Jundiaí e Noroeste, respectivamente).

Sistema Regional Sul – SRS:
SR-5 – Superintendência Regional Curitiba;
Com a 11ª. Divisão Operacional – Paraná – Santa Catarina;
SR-6 – Superintendência Regional Porto Alegre;
Com a fusão da 12ª e 13ª; Divisões Operacionais (Teresa-Cristina e Rio Grande do Sul, respectivamente).

Pode-se dizer que esta estruturação foi a mais duradoura, se tomarmos que a existência das “SR” somente se desfez efetivamente com o processo de desestatização e privatização operacional da RFFSA, em 1996.

Porém em 20 anos algumas mudanças ocorreram, mesmo que mantida a estrutura das chamadas agora “Regionais”.

Na ocasião um novo PCS – Plano de Cargos e Salários, definia distinções profissionais entre as classes e funções, sendo criadas novas atribuições e uma grade ampla de acesso profissional de diversas carreiras, assim divididas:

PA – Profissional Administrativo: atuante nos escritórios em funções burocráticas
PF – Profissional Ferroviário: atuante no campo operacional ferroviário
PM – Profissional de Manutenção: atuante no campo da área de manutenção ferroviária (oficinas, etc);
PN – Profissional de nível Médio: atuante basicamente na interface das três funções acima descritas;
PS – Profissional de Serviços Gerais: atuante em todas as áreas;
PU – Profissional de Nível Universitário: atuante nos campos profissionais específicos.
Consultor Ferroviário: ligado diretamente à presidência.

O nível basilar passava a ser o chamado “Auxiliar de Serviços Gerais” atuante no quadro de PS e o nível mais elevado, o de “Consultor Ferroviário”, atuante no quadro PU. Mas o cargo de maior projeção passava a ser o de Superintendente Regional.

Conforme enunciado desde o início, esta obra não tem objetivos de resgate histórico-político e assim sendo deixamos ao largo maiores comentários deste grau de influência, que determinou algumas mudanças ao longo deste intervalo de 20 anos, que podem ser consideradas interessantes e cujas expressões mostraremos a partir dos equipamentos. Contudo, foi um período politicamente denso e que de certa forma definiu o que foi identificado nos anos 90 por um ciclo vicioso administrativo, culminantes no ocaso daquela que foi uma das maiores empresas ferroviárias do Brasil.

No período demarcado entre 1976 a 1996 podemos assim separar alguns movimentos notórios, a saber:

Sub-Fases internas

Sub-Fase I
As sete Superintendências Regionais - 1976 a 1983;

Sub-Fase II
A criação das chamadas Superintendências de Produção e Divisões Operacionais e surgimento da CBTU – Companhia Brasileira de Trens Urbanos – 1983 a 1987; Implantação do SIGO - Sistema Integrado de Gerenciamento Operacional

Sub-Fase III
A criação de mais quatro Superintendências

Sub-Fase IV
A formação das Áreas de Negócios ou Macrorregionais – 1992 a 1996;

Sub-Fase V
A fusão para o processo de desestatização – 1996.