sábado, janeiro 09, 2010

RFFSA - Volume V - Capítulo 21

R.F.F.S.A - Fases Administrativas
Fase III - de 1976 a 1996
Capítulo 21
A Ferrovia do Aço - um tema especial à parte


Prometida para ser construída em “1000 dias”, ligando Belo Horizonte a São Paulo, duplicada e eletrificada, a aludida ferrovia – representante de um projeto ousado de engenharia, para vencer em literal tangente a serra da Mantiqueira em uma extensão de pouco mais de 300 quilômetros – passou de admirável para inviável em pouco tempo, conquanto grande parte de suas obras tenham sido iniciadas e concluídas ( pela ENGEFER – Empresa de Engenharia Ferroviária, empresa subsidiária da RFFSA pelo MT para a concepção do projeto).

Com problemas e desencontros de entendimentos entre lotes de construção, além de um cronograma financeiro totalmente superestimado em relação às obras, a “Ferrovia do Aço” foi continuamente interrompida, sendo por muito pouco abandonada completamente, apesar do que já consumira em obras, equipamentos comprados e não utilizados (eletrificação e sinalização) além da abertura daquele que se tornaria o maior túnel da América do sul, em plena Mantiqueira, o famoso “tunelão” com mais de oito quilômetros de extensão. Fora as obras-de-arte em túneis e viadutos, majestosos.

Ao sabor das decisões dos ministros que assumiam a pasta dos transportes, o último ministro do período militar, o engenheiro Eliseu Resende, retomou a construção da “Ferrovia do Aço”, que a essa altura já padecia de forte alteração de seu projeto original, sendo que nos movimentos sucessores, também no período democrático (a partir de José Sarney, em 1986), foi “reduzida” se comparado ao projeto primordial, contudo retomada, num esforço para que esta magnífica obra de engenharia e que já consumira milhões de dólares em recursos, não se transformasse em caminho para passagem de gado, conforme já estava acontecendo, uma vez que o traçado da ferrovia em Minas intercedeu em diversas propriedades rurais (fazendas) e, como grande parte da infra-estrutura já se encontrava concluída, faltava apenas a ferrovia em si, ou a superestrutura, tão dispendiosa quanto.

Fato é que a RFFSA passou a administrar a retomada da “Ferrovia do Aço” com recursos públicos e parceria entre clientes e em poucos anos as obras de superestrutura foram retomadas e já em 1989 o primeiro trecho entre Saudade, RJ, e Bom Jardim de Minas, MG era completado. Nos anos 1990 a conclusão do trecho Bom Jardim a Jeceaba e parte do chamado trecho Norte (Jeceaba – Andaime), com o apoio dos clientes de mineração, principalmente (MBR – Minerações Brasileiras Reunidas), em linha singela e sem eletrificação, incorporou este importante corredor ferroviário ao mapa da malha existente. Mas a ligação para São Paulo ou para Belo Horizonte, diretamente, jamais foram concluídas (até o presente momento).




A automotriz RDC1 ED11 durante especial de inspeção com técnicos da RFFSA , em passagem sobre a ponte de acesso ao pátio de Bom Jardim de Minas, MG. Embaixo, a rodovia de ligação entre Juiz de Fora e o sul de Minas. Fotografia: RFFSA. Acervo: José Emílio Buzelin.