sexta-feira, janeiro 22, 2010

RFFSA - Volume V - Capítulo 23

R.F.F.S.A. - Fases Administrativas
Fase III - de 1976 a 1996
Capitulo 23
Sub-Fase IV - 1990 a 1996
A formação das Áreas de Negócios ou Macrorregionais



Os anos 90 chegaram com forte apelo psicológico e emblemático. A década da modernidade, antes da esperada virada do século e a chegada do cantado e decantado “ano 2000”, cujo paradigma da superação tecnológica acompanhava todas as expectativas.

No cenário econômico, caótico, restava a esperança de uma nova ordem política no Brasil – eram realizadas as primeiras e legítimas eleições diretas para a presidência da República, sem quaisquer restrições. O governo de José Sarney, embora caracterizado pelo retorno democrático, havia se sucedido de um colegiado eleitoral que trouxera a Tancredo Neves a escolha para a presidência, contudo, acometido de forte enfermidade, faleceu sem assumir o posto, ficando assim para o seu vice a honra do aludido cargo.

O período Sarney (1985 – 1989) foi marcado por claro cenário político. Mas no contexto das primeiras eleições diretas, mudanças eram estimadas e esperadas.

Neste contexto de mudanças surge um candidato que logo assumiu elevadíssimo carisma de liderança e disposição para acabar de vez com um quadro fisiológico (promessa impossível quando se fala de política) governamental supostamente existente. Seu nome: Fernando Collor de Melo.

Com predicados pessoais e curriculares, o presidente Collor tornou-se o chefe da nação através de uma eleição expressiva e prometia um verdadeiro choque de modernidade no país.

No âmbito da RFFSA, desde meados dos anos 80, um grupo formado por profissionais de nível superior e gestores junto à SR3 de Juiz de Fora, pregavam e defendiam que a RFFSA deveria permitir que as suas superintendências fossem mais independentes, no quesito do controle e da administração de seus recursos.

No final dos anos 80 e início dos anos 90 a RFFSA experimentava considerável desequilíbrio contábil e gestor. Sem que o objetivo aqui seja delinear tais questões, mas um dos fatos mais marcantes era justamente a condição de algumas superintendências, praticamente sustentarem a folha de pagamento de toda a empresa. Isto não parecia muito justo, aos olhos daquelas que eram as mais ricas unidades da empresa, cujo caixa centralizado na AG, absorvia tudo.

Uma das bandeiras do então governador do Estado de Alagoas, candidato e presidente eleito nas primeiras eleições diretas plenas, desde 1960, Fernando Collor de Mello, era a modernização do estado brasileiro a partir das bases do modelo neoliberal, uma vez que o estado deixaria de exercer determinados papéis para os quais não se considerava competente no âmbito de gestão, para permitir á iniciativa privada, sob regulação, atuar de modo a retomar o crescimento dos setores que já se encontravam esgotados ou fora da capacidade do Estado de atuar plenamente, em razão principalmente de um cenário econômico crítico e escasso predominante naqueles dias.

Iniciava assim a trajetória do chamado processo de desoneração do estado brasileiro em atividades econômicas básicas e de infra-estrutura, dentre elas a ferrovia.

Com a ascensão do presidente Collor, as idéias defendidas por este grupo interno ganharam representatividade e um de seus mentores, o engenheiro Martiniano Lauro do Amaral, então superintendente da regional Juiz de Fora, foi convidado a presidir a RFFSA com a missão de, dentre outros objetivos, saneá-la para que fosse atraente ao interesse privado.

E, em breve, a RFFSA passaria a fazer parte do PND – Programa Nacional de Desestatização – Eram portanto estes os novos rumos em voga.

Mas, concisamente, o período foi conturbado. Acusado politicamente, o presidente Collor se viu diante de um processo de “impeachement”, que logo o retirou do poder executivo, assumindo (mais uma vez) a figura de um vice-presidente na atribulada trajetória republicana de nossa história. Seu vice, o engenheiro Itamar Franco.

Embora mais conservador do que seu antecessor, Itamar Franco não deixou de dar continuidade a alguns dos programas que visavam modernizar a economia brasileira e, dentre eles, o processo de desestatização da RFFSA, cujo efeito somente seria visto no ano de 1996, já no governo de Fernando Henrique Cardoso, que sucedeu Itamar Franco, em 1995, eleito que foi presidente. Fernando Henrique era o titular da pasta de economia do governo Itamar e a boa sucessão do chamado "Plano Real", que trouxe uma definitiva estabilidade econômica ao país, estimulou os resultados políticos que se sucederiam.

No período compreendido entre 1990 e 1996 a RFFSA vivenciou as mudanças políticas e econômicas que influenciaram profundamente em sua existência – talvez mister afirmar tão fortemente quanto na época de sua criação.

Grandes mudanças internas foram realizadas, visando a preparação da empresa para um novo modelo de gestão, ainda que desde 1990 as ações da RFFSA tenham sido marcadas pela dispensa e pela racionalização administrativa. Pela primeira vez tocava-se em questões quase proibidas – uma delas, processos de demissão.

A RFFSA chegava a 1990 com um quadro de 60 mil funcionários. A meta era a redução a 2/3 deste montante, ficando ainda assim um contingente elevado.

A idéia era o saneamento de custeio da empresa, em tempo mais breve possível, para o engajamento de um processo de privatização. Discussões acaloradas e dedicadas de diversos grupos profissionais ferroviários pressionaram para que este processo não fosse levado adiante, ou pelo menos, modelado segundo critérios muito mais complexos e específicos. Desta forma surgiriam os editais de desestatização, mantendo o patrimônio da empresa sob o controle patrimonial governamental. A privatizar, a operação, que seria entregue à grupos investidores com metas e obrigações de curto e longo prazos.

Contudo, internamente, a RFFSA buscava dar sinais de que, mesmo sendo preparada, era uma empresa disposta a superar os entraves e as dificuldades que lhe tiravam a visibilidade da competência administrativa e desta forma, neste período, buscou adotar uma nova grade administrativa que lhe conferisse maior agilidade, cujos tópicos destacamos:

-maior flexibilidade na relação entre superintendências e a administração geral;
-melhoria das relações administrativas internas, entre funcionários e seus superiores e vice versa;
-busca pela plataforma de ação gerencial moderna, conforme o modelo empresarial mundial;
-busca de modernidade de sua imagem institucional e administrativa;
-busca pela austeridade administrativa e de investimentos do governo;
-estreitamente de parceria entre seus clientes e fornecedores;
-redução de custos e eliminação de serviços considerados deficitários (fim dos trens de passageiros)
-revisão interna da divisão entre as superintendências – a criação das chamadas Áreas de Negócios, Diretorias de Negócios ou Macrorregionais.

No contexto da imagem (cujo tema abre maior interesse) a equipe do Setor de Programação Visual foi bastante atuante.

Sob a égide da terceira edição revisada e atualizada do Manual de Identidade Visual e Gráfica da RFFSA, firmava-se definitivamente a busca pela fixação de uma imagem limpa e arrojada da empresa. Isto resultou em um processo amplo, mas que revelou uma das mudanças mais significativas e sobre a qual nos dedicamos a comentar: a nova pintura da RFFSA.