quarta-feira, dezembro 28, 2011

Dr. Flutt


Há algum tempo abordei a trajetória histórica de um grande profissional, o engenheiro Luiz Antonio Flutt, chefe do Depósito de São Diogo, da década de 60 a 1977.

Desta abordagem tive o prazer em conhecer seu filho, o eng. Felipe Flutt, que me presenteou com a história deste ferroviário cuja expressão de dedicação e ética encontra nestas palavras uma definição vernacular.

Uma história rica e plena nos foi contada em detalhes, mas esta resolvi retirar porque aos muitos que mais se preocuparam com "qualidade de fotos" ou aqueles que se dedicaram em ignorar um trabalho de resgate, com dissimulada demonstração de desprezo, ainda que em contraponto aos muitos e muitos amigos que me parabenizaram pela iniciativa, considerei melhor que a história de São Diogo e de Dr. Flutt seja um dia contada por seu filho, amigo e a quem em horas muito difíceis, recebeu-me como um irmão.

Condenado que sou todos os dias por falar demais, deixo as fotos abaixo, do acervo de seu filho. Elas nos revelam a imagem de um profissional dedicado, cuja carreira lhe impôs o clássico paradigma do realizado não-previsto; formou-se em primeiro lugar na profissão que escolhera; foi admitido na EFCB e ali passou a tomar conta de São Diogo, depois de exercer variadas funções, quando, na verdade, buscava o recanto de sua velha e querida Valença.

Por anos fez de São Diogo mais do que talvez tivesse imaginado. Dizem que aquela foi a melhor geração de ferroviários. Mas qualquer ferroviário que consiga viver a ferrovia em sua plenitude, é sem dúvida, o melhor de sua geração, em qualquer tempo...

De São Diogo fez mais do que um local de trabalho. Fez um lar. Um templo. Um local feliz. Luminoso. Limpo. Organizado. Ordeiro. Disciplinado. Digno. Alto. Um lar profissional para todos que ali estiveram.  Aos visitantes, a sala nobre da RFFSA. Aos estudantes, um espaço de conhecimento e instrução. Traduziu dedicação e competência, partilhando com os seus colaboradores um conhecimento que considerava inestimável para que o melhor trabalho pudesse ser realizado, na conservação de um material nobre que por muitos anos minimizou as dificuldades típicas de nosso país mal planejado e carente de mobilidade, ainda presentes, mas agora sem nada no lugar, salvo promessas em devaneios.

A despeito de tudo ter sido literalmente destruído, quiçá comemorado pelos que talvez não compreendessem a dimensão de um chefe exigente, mas no mesmo tom, compreensivo, batalhei dentro do que considerei legítimo para promover uma homenagem a este homem, no pátio em que praticamente deu a vida. 

Em vão.

São Diogo segue, assim como a ferrovia, para muitos, como mais um enfoque histórico que permeia inutilidade.  A visão advinda de mentes nulas que se jactam de uma auto-suficiência profissional inquebrantável... A estes digo: tudo neste mundo passa e para estes não será exceção, tampouco.

Mas aos que sabem reconhecer e respeitar a história, a estes partilhamos a nobreza de um trabalho de valor e repleto de significado, que foi a IRK12.

Caro Felipe:  a história de seu pai, jamais esqueceremos.  

Caro Dr. Flutt: de onde estiver, seu legado jamais perderemos. Nem que seja em nome da memória, a qual ninguém jamais poderá nos tirar ou aos fatos históricos, por mais que queira, negar ou ignorar.

J. E. Buzelin

Fotografias abaixo: Acervos e autorias família Flutt ( Felipe Flutt); Revista Refesa; Guido Motta ( Memória do Trem) e do autor